Infecção em dentes do siso traz risco de doenças cardíacas

Pessoas que não extraíram os dentes sisos, mesmo aqueles que não chegaram a nascer correm mais riscos de desenvolver problemas cardíacos e inflamações na gengiva e ainda fraturar a mandíbula por conta de um processo de destruição óssea.

Esses problemas ocorrem especialmente quando os dentes do siso, também chamados de terceiros molares, ficam totalmente inclusos (escondidos) ou nascem parcialmente. Quando nascem corretamente não há riscos de complicações, desde que a higiene bucal seja adequada.

Segundo José Roberto Barone, coordenador do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (regional São Paulo), há casos de o paciente ter todos os dentes saudáveis e desenvolver um problema cardíaco por causa dos dentes do sis que ficaram inclusos.

“Quando o dente do siso não tem espaço no maxilar para erupcionar, ele forma uma espécie de bolsa com os resíduos alimentares em decomposição. Essa bolsa pode infeccionar e formar uma colônia de bactérias. Se essas bactérias caírem na corrente sanguínea, podem migrar para o coração, provocando uma doença chamada endo-cardite”, explicou.

Indolor

Barone acrescentou que nem sempre o paciente sente dor quando há essa infecção interna. “Por isso, em muitos casos a pessoa nem percebe que está com problemas. Quando descobre, as bactérias já se instalaram nas válvulas cardíacas e aí é necessário tratamento específico, feito por um cardiologista”, diz.
Luiz Augusto Passeri, professor responsável pelo departamento de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial da Unicamp, explicou que a fratura da mandíbula pode acontecer por causa da formação de um cisto, problema freqüente em casos de dentes do siso inclusos.
“O dente provoca uma destruição óssea muito grande no maxilar. Como essa destruição é lenta, o paciente não sente dor. Mas chega um momento em que uma simples mordida pode fraturar a mandíbula”, alerta Passeri.
Diante de todos esse problemas a indicação de extração dos terceiros molartes acontece em cerca de 80% dos casos. As pessoas que ainda têm os dentes do siso devem fazer uma radiografia panorâmica a cada dois anos para saber se existem possíveis lesões.
O ideal é que a cirurgia seja feita até os 30 anos, quando a raiz não está completamente formada. “Depois dos 30 anos o dente fica resistente e a raiz entrelaçada no osso, dificultando a cirurgia”, explicou o cirurgião Buco-Maxilo-Facial, José Carlos Gaspar..

Fonte: Fernanda Bassete / Folha de São Paulo / 2 de outubro de 2005